
Ela estava sozinha, olhos e cabelos pretos.
Estava concentrada escrevendo. Eu cheguei, ela estava sozinha.
Parei em sua frente, ela levantou os olhos pra me ver.
Me olhou com seus olhos brilhantes, amendoados e arregalados
Me encarou como se eu não significasse nada pra ela.
Mas estendi a mão e ela pegou.
Eu a puxei, ela se levantou. Eu a abracei forte, ela se esticou e beijou meu pescoço.
Deslizou seus dedos pelas minhas costas. Ela tinha mãos macias.
Algo em mim se enrijeceu.
Eu sabia que queria estar com ela, sobre ela, dentro dela.
Ela sorriu pra mim e disse que sentia minha falta.
Eu sentia falta dela todos os dias.
Então, peguei seu rosto e coloquei meus lábios sob os dela.
Queria que ela fosse minha, ela não era de ninguém.
Ela disse que me amava mas que o tempo acabou.
E eu disse pra ela ficar.
Uma lágrima caiu de seus olhos pretos, e ela disse precisava mesmo ir.
Seu perfume era doce, mas tinha algo amargo nela.
Seus cigarros, um paradoxo.
Eu me perguntava porque não conseguia deixa-la
Também não a trazia de volta completamente.
Ela me puxou pelo pescoço e me beijou.
O beijo tinha um mistura de amor e ódio
Paixão e violência.
Ela era selvagem e doce.
Eu a queria demais,
Ela sempre me deixava assim.
E ela ainda tinha uma inocência...
Ela era uma criança, ela precisava dos meus cuidados e da minha proteção.
Eu era rígido com ela, e lhe dizia coisas fortes demais.
Eu a fazia chorar e infelizmente eu era o único que podia secar suas lágrimas.
Eu a machuquei, ela ainda estava aqui.
Porque então, eu não estava mais lá pra ela ?
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