quinta-feira, 23 de junho de 2011

Garoto de Aluguel


Não gosto de dormir sozinha. Te chamo.
Sou fria, mas com você me sinto aquecida.
É o vício que me faz correr atrás.
Procuro em outros olhos, procuro em outros braços.
NADA.
Passo dias, as vezes meses. Me vem a abstinência.
Te procuro, alugo um dia - ou uma noite - no seu coração.
Um tempo onde eu possa ser e sentir tudo o que eu deixo sempre guardado. Te amo.
E desapareço.
Mas não duvide, eu volto! "Ela sempre volta!" "Ela não aguenta!"
O garoto de aluguel já me conhece bem o suficiente a ponto de pronunciar tais palavras...
Intimidades
E eu diria que o garoto de aluguel está certo
Mas ele não sabe que pensar me fazem sumir
Eu não vou ficar com você. 
Mas eu gosto de jogar.
Eu vou vivendo - jogando - essa roleta russa.
Até que chegue a hora em que meu coração pare.
OVERDOSE.
Energia irradiando por todo meu corpo
Vida escapando pelos poros
Sangue quente pulsando
Pupilas brilhantes dilatas negras e penetrantes.
Saciedade.
Um orgasmo, overdose de você !
Você se vai! E eu desapareço, mas sei onde te encontrar.
Não gosto de dormir sozinha. Te chamo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Sobram as cinzas.


Acendo 1 cigarro e lembro que não devia estar fumando.
O cigarro se consome, por mais que eu não fume. Maldita pólvora.
PÓLVORA.
Te sinto como pólvora que me consome...
Não vejo maneiras e já não tenho motivos pra querer te tirar de mim.
Depois sobram apenas cinzas e a chama se apaga.
Depois me volto pra mim. 
Me consumo sozinha
Meus livros, meu café, meus cigarros e minhas lembranças.
Malditas lembranças.
Mas, acredite você ou não, acho que já me acostumei a ser assim.
Eu disse pra você 
Não, não vai rolar.
Você procura tanto ser o que você já é pra mim e acaba se tornando o que eu não quero.
Eu já não procuro mais nada.
Depois de tanto, tudo se resume a sentir falta de um alguém que você foi
Alguém que você não é mais.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Evaporar.


Ela estava sozinha, olhos e cabelos pretos.
Estava concentrada escrevendo. Eu cheguei, ela estava sozinha.
Parei em sua frente, ela levantou os olhos pra me ver.
Me olhou com seus olhos brilhantes, amendoados e arregalados
Me encarou como se eu não significasse nada pra ela.
Mas estendi a mão e ela pegou.
Eu a puxei, ela se levantou. Eu a abracei forte, ela se esticou e beijou meu pescoço.
Deslizou seus dedos pelas minhas costas. Ela tinha mãos macias.
Algo em mim se enrijeceu.
Eu sabia que queria estar com ela, sobre ela, dentro dela.
Ela sorriu pra mim e disse que sentia minha falta.
Eu sentia falta dela todos os dias.
Então, peguei seu rosto e coloquei meus lábios sob os dela.
Queria que ela fosse minha, ela não era de ninguém.
Ela disse que me amava mas que o tempo acabou. 
E eu disse pra ela ficar.
Uma lágrima caiu de seus olhos pretos, e ela disse precisava mesmo ir.
Seu perfume era doce, mas tinha algo amargo nela.
Seus cigarros, um paradoxo.
Eu me perguntava porque não conseguia deixa-la
Também não a trazia de volta completamente.
Ela me puxou pelo pescoço e me beijou.
O beijo tinha um mistura de amor e ódio
Paixão e violência.
Ela era selvagem e doce.
Eu a queria demais,
Ela sempre me deixava assim.
E ela ainda tinha uma inocência...
Ela era uma criança, ela precisava dos meus cuidados e da minha proteção.
Eu era rígido com ela, e lhe dizia coisas fortes demais.
Eu a fazia chorar e infelizmente eu era o único que podia secar suas lágrimas.
Eu a machuquei, ela ainda estava aqui.
Porque então, eu não estava mais lá pra ela ?

Feridas Cicatrizam

Eu passei a evitar tudo que me lembra você.  Tudo foi acontecendo de uma forma tão natural Acho que com "natural" quero dizer  Tud...